domingo, 8 de junho de 2008

Em que época Narciso viveu? Ou ainda vive?

Outro dia abri alguns de meus textos e encontrei esse. Para mim “a menina dos olhos” de meus rascunhados. Acredito muito no que escrevi, vejo muita verdade em minhas palavras. Pressionado por uma atividade universitária, adorei o resultado findado e o treino que tive para dissertar sobre o tema proposto.
Interessante. A atividade propunha uma relação ao mito de Narciso e os dias de hoje. Resenhando: Narciso de tanto se admirar refletido a beira do mar, um dia morre afogado.
Estava hoje em casa e ouvi comentários sobre barbaridades no trânsito. De um lado um pedestre sobre a violência de um motorista, de outro um X (sem-adjetivo adequado para a ocasião) mata um jovem por que havia “quase” batido em seu carro.
Pois bem, aqui estão alguns fragmentados de minha resposta diante do tema. Achei conveniente mesclar as situações e tentar transmitir em palavras, o porquê do Narcisismo contemporâneo. Embora percebo no personagem Narciso um egocentrismo vasto porém ingênuo comparado ao individualismo agressivo e capcioso dos seres humanos de hoje.
Mais um detalhe, não vejo um lugar tão adequado para se compreender as fraquezas humanas como as histórias mitológicas. Elas transmitem muito bem a mente dos homens, e a que ponto chegam suas atitudes. Não é à toa que em alguns cursos de especializações de Psicologia, encontram-se citações de textos mitológicos.
Sem mais delongas, aí vai partes selecionadas do meu texto sobre Narciso e o mundo atual. Procurem se lembrar de alguns exemplos bobos de pessoas furando filas, de pessoas que não cedem lugar aos idosos em transportes públicos, de pessoas que recebem troco a mais e não se dão ao justo de devolverem a parte que não lhes cabem, e por fim, daqueles que se deterioram por motivos tão banais.
Com relação às releituras e a lenda de Narciso, coloco-me eu uma análise do que se pode dizer individualismo e crença em si mesmo.
Entendo que no caso de Narciso, havia uma super valorização de seu próprio ser, um enaltecimento ao seu ego, de maneira única e profunda. Uma unicidade de sua beleza. Estados que ultrapassavam a barreira dessas duas colocações (individualismo e crença em si próprio).
Pois bem, hoje em dia vejo uma sociedade como pertencentes a "crença em si próprio", lutando pelos seus ideais e a fins de concretizarem seus objetivos, porém em muitos casos não medem esforços para isso assim chegando a extrapolar; individualismo. Ponto-chave onde o positivismo de seu valor passa a ser coberto pela ganância de suas idéias e seus gestos.
Dentro desses aspectos vejo que o ser humano atual tem uma necessidade de querer a todo o custo as coisas que lhe são interessantes. Vejo ainda a prepotência e a singularidade com que muitas pessoas dirigem suas vidas, enaltecendo somente suas qualidades. Com isso faço um paralelo ao Mito de Narciso, e concluo respondendo que não somente essa lenda é a que representa nossa atualidade, e que se buscarmos na Mitologia encontraremos muitas outras histórias que nos fazem compreender com maior facilidade as defasagens dos homens. Mesmo afirmando ainda que existam outros mitos que possam nos dar referências às atitudes dos seres humanos no mundo contemporâneo, Narciso é sim o mito que mais representa nossa época.


(Jurandir Ramos)

terça-feira, 3 de junho de 2008

Afinal a vida é um parágrafo e a droga um ponto final.

Estava hoje na faculdade vendo uns sites de músicas, quando uma amiga de sala me surpreendeu comentando à respeito de uma determinada cantora. Resultado final: senti-me absurdamente aguçado em escrever sobre a mesma.
Amy Winehouse – cantora de Soul, Jazz e R&B. Incrivelmente fui surpreendido pela sua altíssima capacidade artística e sua voz ímpar.
Vamos analisar um determinado âmbito: Quantas pessoas famosas você conhece que esteve ou está envolvida em escândalos? Vamos afunilar nossa análise. Quantas envolvidas diretamente com as drogas? Não vem ao caso citar aqui um a um, ademais um blog ainda seria muito pouco para isso.
O que proponho é uma sutil reflexão sobre a real necessidade desses artistas e/ou o peso que o poder do prestígio oferta.
Coloquei uma questão a mim mesmo antes de começar – como posso fazer qualquer tipo de prevenção sobre famosos que deterioram suas carreiras por consumirem drogas? Aí está. Não vou diagnosticar, afinal, só estando na pele de cada um para saber exatamente o que pensam, o que sentem, o que vivem. Logo, venho por meio do meu blog questionar, e somente isso. A reflexão fica por conta de cada um dos leitores.
Qual a interferência que pessoas altamente expostas à mídia sofrem da imprensa? O que a fama e o prestígio popular acarretam em sua vida pessoal? Eu sei muito bem lidar com a minha vida, obrigado!!! Mas será que também saberia se um milhão de câmeras, de tudo quanto é espécie vendesse minha imagem? Imagine minha privacidade com fotos pessoais minhas espalhadas para milhares de pessoas consumidoras? Será que eu agüento o caos que o sucesso me cobrou? E agora, eu vou me apoiar aonde?
O preço que se paga às vezes é alto de mais, e esse, dinheiro nenhum é capaz de pagar. O dissabor de ver sua vida desmoronando com sua carreira, que ontem lhe trazia prêmios e luxurias, e hoje um azul profundo.
No caso de Amy, não posso nem imaginar o que se passa com ela. Mas posso ver as notícias: revelação da música moderna com um som único; dona de uma voz inverossímil e letras incríveis, sendo uma delas (Love is a losing game) tema de prova na Universidade de Cambridge, na Inglaterra e também vencedora do prêmio Ivor Novello; vencedora de mais 5 prêmios no Grammy Awards 2008. Alcoólatra; usuária fervorosa de substâncias ilícitas, agressiva sob efeito; mulher de um preso por envolvimento com drogas; atualmente muito franzina. E por aí vai...Vejo isso como uma relação de poder inversamente proporcional a conduta natural.
Explico: quanto mais poderoso eu vou ficando perante o mercado, o meio, o mundo; mais minha mente me contesta, e naturalmente, minhas atitudes mudam. Devo me agarrar a alguma coisa (drogas, religião, uma vassoura improvisada de boneca e batizada “Maria Eugênia”). Efetivamente, precisamos cuidar de nossa saúde mental. Afinal a vida nos coloca em diversas encruzilhadas, e só nós somos capazes de ultrapassá-las.
Um adendo. Momento comunicólogo e reflexivo: o que um artista gera na cabeça de seus fãs?
Hair Brasil 2008: ‘Look’ de Amy Winehouse é aposta de tendência.
A volta à moda dos delineadores. Amy usa!
E será que seus fãs, além de seu estilo “me porto como eu quero” também embalarão o estilo “me drogo como eu quero”?
Uma referência, um ícone, que cria uma massificação e não se dá conta disso, tem também sua vida pessoal e nós espectadores não damos conta disso. Sem querer somos influenciados por suas condutas inteligentemente surrupiadas pela imprensa e imediatamente expostas com um mega-título chocante. Ela (artista) também nos influencia sem se dar conta disso.
Na verdade a cabeça é de cada um. As exposições, as fraquezas, as angústias, as conquistas, a fama, o glamour. Nossa vida! Como devemos controlar essa celeuma que perpetuamos?
Se possível, vivendo com inteligência! Afinal a vida é um parágrafo e a droga um ponto final.

(Jurandir Ramos)

quarta-feira, 28 de maio de 2008

O Índio e suas implicações...

Índios, habitantes primeiros desta terra, já estavam cá quando da chegada dos portugueses. Tiveram papel importante nos primeiros contatos dos ocidentais com a terra e como força motriz primeira, no que viria a se tornar uma economia escrava, que sem saber já se iniciara.
A questão indígena é presente na história do Estado brasileiro, contudo, vem tomando forma e força cada vez maior com o passar dos anos, principalmente pós-constituição de 1988.
Os periódicos entre outros meios de comunicação têm trazido à pauta a questão indígena e suas implicações para o país.
Os índios habitam e possuem usos e frutos de terras da União Federal, possuem também o direito de arbitrar sobre quem pode entrar e sair destas terras. Desfrutam de tratamento diferenciado perante a lei, que lhes é garantido pela Constituição. E é preciso que os consultem para todo e qualquer projeto que se relacione a suas áreas.
Um dos pontos de discussão que tange a questão indígena é o tema de segurança e defesa nacional, pois possuindo terras que fazem fronteiras com outros países, e não somente essas, como a área denominada Raposa Serra do Sol e sendo eles os responsáveis pela entrada e circulação de outros indivíduos nestas terras, o território brasileiro torna-se completamente permeável e fluido, do ponto de vista da defesa de nossa soberania.
Igrejas, católica ou protestantes e ONG´s, principalmente internacionais, muitas das quais recebem financiamento de governos de outros países, entram no território sem qualquer controle ou restrição, por vezes trazendo consigo interesses externos e até mesmo de empresas, que divergem do chamado interesse nacional.
Esta política ingerista constrange o Estado brasileiro pois tira do exército e outros órgãos o poder de gerenciamento e controle do território, este que por diversos fatores atrai os olhares de várias organizações ao redor do mundo, por entre outros aspectos suas riquezas minerais e a biodiversidade.
Os índios, por gozarem de tratamento diferenciado perante a lei, causam situações e conflitos, como a agressão ao engenheiro da eletrobrás e se quer sofrem punição. Desta forma se protegem, como soldados dentro de tanques ou melhor, como tartarugas dentro de carapaças, tornando-se indivíduos intocáveis.
Ora, se o indivíduo precisa ser consultado e é capaz e consciente para opinar a respeito de questões como a criação de uma usina hidroelétrica no Rio Xingu que utilizará parte de suas áreas, é capaz também de compreender que facas e facões são armas brancas e atacar e ferir outrem é algo errado.
Portanto é visível o problema que o Estado brasileiro possui em relação a questão indígena. O que nos leva a refletir se tratar o índio de forma tão diferenciada não demonstra uma clara fraqueza em integrá-lo a sociedade e a admissão da existência de outra nação dentro do território brasileiro por parte do Estado.
Não menos importante é refletir também se o interesse nacional, se a construção de uma usina e a garantia do desenvolvimento do país deve ser colocada em jogo, podendo ser vetada e decidida por um grupo com poucas centenas de indivíduos que julgam-se não civilizados e dignos de tratamento especial.

(Gustavo Gomes Benaglia)

sábado, 24 de maio de 2008

A Parada vem aí...

Pois bem, aí eu pergunto:
A 12ª Parada Gay vem aí fazer o quê exatamente?
Engraçado, uma festa ao ar livre que em sua última edição reuniu mais de 3,5 milhões de pessoas, vem em 2008 trazendo como enredo "a interferência da religião nas decisões políticas e jurídicas do país". Assunto tão sério, para tanta gente, em clima de festa. Isso dará certo?
O tema é forte, cativante aos adeptos à bandeira. Aí eu pergunto quem são os adeptos à bandeira? Quantos estarão lá pela causa de fato?
Na verdade, acredito seriamente que "A união faz a força". Mas será que estarão todos reunidos pelo mesmo motivo?
Ano passado, com todos os recordes de público, com tanta música, novidade e criatividade, uma situação muito incômoda assolou o brilho que o evento trouxera. O alto número de assaltos e furtos, além das brigas generalizadas, foi participante da 11ª Parada Gay de São Paulo.
E aí? A causa não era para ser boa?
O que é bom? A rentabilidade que a festa propicia? Para o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab e a senhora Marta Suplicy, Ministra do Turismo, a resposta para essa questão é afirmativa. E querem saber, EU também concordo. Olha só, 2007 pela 1ª vez na história da Parada, houve os patrocinadores oficiais: Caixa Econômica Federal e Petrobras. A oportunidade é boa, não? Tem uma “boquinha” para mim lá?
O que proponho aqui é uma reflexão sobre o atual curso que a Parada está tomando. Será que ainda temos um projeto com menções efetivas e a festa para contemplar o propósito proposto ou será que temos uma fanfarra, e para sua existência uma justificativa?
Pois é! São Paulo terá uma grande parada amanhã, e o que podemos esperar?

(Jurandir Ramos)