sábado, 24 de maio de 2008

A Parada vem aí...

Pois bem, aí eu pergunto:
A 12ª Parada Gay vem aí fazer o quê exatamente?
Engraçado, uma festa ao ar livre que em sua última edição reuniu mais de 3,5 milhões de pessoas, vem em 2008 trazendo como enredo "a interferência da religião nas decisões políticas e jurídicas do país". Assunto tão sério, para tanta gente, em clima de festa. Isso dará certo?
O tema é forte, cativante aos adeptos à bandeira. Aí eu pergunto quem são os adeptos à bandeira? Quantos estarão lá pela causa de fato?
Na verdade, acredito seriamente que "A união faz a força". Mas será que estarão todos reunidos pelo mesmo motivo?
Ano passado, com todos os recordes de público, com tanta música, novidade e criatividade, uma situação muito incômoda assolou o brilho que o evento trouxera. O alto número de assaltos e furtos, além das brigas generalizadas, foi participante da 11ª Parada Gay de São Paulo.
E aí? A causa não era para ser boa?
O que é bom? A rentabilidade que a festa propicia? Para o atual prefeito de São Paulo, Gilberto Kassab e a senhora Marta Suplicy, Ministra do Turismo, a resposta para essa questão é afirmativa. E querem saber, EU também concordo. Olha só, 2007 pela 1ª vez na história da Parada, houve os patrocinadores oficiais: Caixa Econômica Federal e Petrobras. A oportunidade é boa, não? Tem uma “boquinha” para mim lá?
O que proponho aqui é uma reflexão sobre o atual curso que a Parada está tomando. Será que ainda temos um projeto com menções efetivas e a festa para contemplar o propósito proposto ou será que temos uma fanfarra, e para sua existência uma justificativa?
Pois é! São Paulo terá uma grande parada amanhã, e o que podemos esperar?

(Jurandir Ramos)

2 comentários:

Tiago Pinto disse...

"(...)O alto número de assaltos e furtos, além das brigas generalizadas, foi participante da 11ª Parada Gay de São Paulo.(...)"

Assalto, furtos e brigas são é mérito apenas da parada gay, mas de qualquer tipo de evento e/ou aglomeração pública.

E o que se pôde esperar da parada naquele domingo?
Se 3,5 milhões de pessoas (aproximadamente) estavam presentes na manifestação que tem por intenção maior abolir a homofobia e fazer com que os interesses gays sejam tão corriqueiros quanto os interesses heterossexuais, creio que isso seja prova de que estamos cada vez mais próximos de uma união de sexualidades, ou pelo menos de uma simpatia, o que já significa meio caminho andado para o respeito mútuo entre elas.
Geração de renda sim. São milhares de estrageiros que vem dispostos a gastar o quanto for preciso.
E cuidado com o que você diz sobre querer uma parte do bolo...insinuações as vezes são perigosas.
Petrobrás tem acento agudo no segundo "e".
Texto bem estruturado e escrito. Parabéns pelo Blog.

Anônimo disse...

O fato de ser um estudioso da esfera política e um homossexual, desperta algumas perguntas nas pessoas como: “Por que você não participa de movimentos GLBT?”, “Por que não luta pela causa?”...

Compreendo a sua opinião. Algumas pessoas fazem uma supervalorização da causa, quando esta praticamente se diluiu em meio de interesses maiores. Ou pelo menos, assim consideram os defensores. Claro que não havendo uma Parada contra preconceitos diversos tão mais comuns como contra obesos, deficientes, negros, asiáticos, indígenas, “alternativos”, etc... Faz-nos pensar o que o meio GLBT tem de tão especial assim?

Alguns dizem que é porque a população GLBT é o verdadeiro símbolo da cultura capitalista. No qual, o progresso é fomentado para atingir cada vez mais níveis superiores de luxo, viagens, prazeres, conquistas. Outros mencionam que GAYS tendem a ser de um nível financeiro superior aos heterossexuais, assim como um nível cultural e por freqüentarem lugares criados apenas para esta comunidade, talvez a mobilização torne-se mais fácil.

Idolatrar os ícones GLTB que são colocados em pedestais durante a Parada é idolatrar o perfil do Homem bem sucedido, musculoso, sem pelos no corpo, saudável, na moda entre outros requisitos. O curioso que cultura é associada, no “meio” por falar vários idiomas e viajar. Desconheço o objetivo das viagens, espero que não seja apenas para “ferver” em outros países.

O respeito à diversidade vem da educação, das reflexões pessoais, do desenvolvimento do pensamento. Este respeito nasce apenas quando o individualismo entra em crise. Pois, quando o individualismo puro (capitalismo) é valorizado, fechamos o mundo em nossos próprios interesses, nos quais as pessoas tornam-se apenas objetos a serem superados em prol dos nossos objetivos. Agora, seria a Parada GLBT um evento que nos faz pensar no coletivo? Pensar em uma causa? Ou será um desfile de valores individualistas que formam o estereótipo GLTB em uma multidão que gera o ambiente perfeito para as pessoas realizarem fantasias também individualistas?

Desculpe-me por me estender no comentário. Mas são por estes e outros motivos que prefiro ajudar em prol da “causa” da minha maneira. Conversando com as pessoas e escrevendo sobre o tema. Pessoalmente, penso que se existe uma causa e ela é defendida muito mais pelos pensadores-de-buteco da Augusta, dos shows de rock e pelos filósofos urbanos do que pelos membros da Parada GLBT de São Paulo. Até a revolução acontecer, continuarei membro da primeira esfera e não da segunda.